Selma Lagerlöf

 

Biobibliografia

Nascida na Suécia, em Mårbacka Värmland, em 1858, aí acabará os seus dias em 1940. De saúde débil, lia e escutava avidamente de seu pai e avó as sagas do folclore escandinavo povoadas de génios e de fadas. Todo esse acervo soube recriá-lo, mais tarde, nas suas narrativas pessoais de extrema originalidade. Na sua tessitura literária há um fundo de misticismo cristão envolvendo fantasias poéticas, bem evidente no conjunto de lendas de tema religioso, muitas delas inspiradas nos evangelhos apócrifos. Escreveu também livros autobiográficos e romances.
Modesta professora do primeiro ciclo, não só foi galardoada com o prémio Nobel da Literatura em 1909 como também se tornou membro da Academia sueca, em 1914, pelas suas capacidades intelectuais. Nestas duas circunstâncias, abriu a porta ao Feminino em terrenos marcadamente masculinos. Foi doutorada "honoris causa" pela Universidade de Kiel, na Alemanha.
Várias das suas obras foram adaptadas ao cinema. Ao estalar a segunda grande guerra, pela invasão nazi da Finlândia, Selma lutou vigorosamente pelos direitos da Paz, tendo oferecido a sua medalha de ouro, galardão do Nobel, para auxiliar os feridos e os desalojados.
Em Português, existem, dos seus livros, as seguintes traduções: A Viagem Maravilhosa de Nils Holgersson, A Lenda de Gösta Berling, O Livro das Lendas, Infância, Lendas de Cristo, Histórias Maravilhosas, esparsas por várias editoras.
Na Literatura Portuguesa, inspirado na saga de Nils Holgersson, surge, em 1924, um precioso livro para crianças: Portugal Pequenino, da autoria de Maria Angelina e Raúl Brandão. Deste livro encontra-se uma boa edição de 2003 da editora Vega.

 

Lagerlöf, Selma – A Maravilhosa Viagem de Nils Holgersson através da Suécia, 2º edição, Lisboa, Europa-América, 2000

Muito bem traduzido por Ana Rabaça, o volume, além de uma nota introdutória com a biobibliografia da autora, contém um apêndice final com uma tábua de pronúncias da língua sueca. Este livro continua a fazer parte da grande epopeia do imaginário infantil mundial. A sua narradora agarra, transfigurando-o, o pulsar da terra e das gentes suecas e enceta uma viagem inesquecível na figura de um menino de 14 anos, irreverente como é próprio da idade.
Não falta no início da narrativa uma personagem do maravilhoso nórdico, o gnomo, sem o que a viagem de Nils não seria possível, dada a inverosimilhança.
Pedindo dispensa aos pais, agricultores, de os acompanhar ao serviço religioso, o rapaz fica em casa e descobre um gnomo. Aprisiona-o, vendo-se então transformado num símile da criatura. Sai para a quinta, é vaiado pelos animais pelas tropelias anteriormente feitas e entende, expressando-se, a linguagem deles. Quando humano, Nils era guardador de patos e, por essa afinidade, consegue uma boleia no dorso de um ganso que parte com os patos bravos.
Além de sofrer as vicissitudes da cadeia animal onde os mais fortes aniquilam os mais fracos, das forças da Natureza e das intempéries, Nils vai conhecendo o seu país, as suas gentes, lendas e tradições, do Sul à Lapónia.
A viagem acaba novamente na quinta dos pais, na quinta de Värmland onde encontra a escritora em romagem de saudade à memória do pai e para quem era imperativo escrever um livro sobre a Suécia, “um livro de leitura para as crianças das escolas”. Do encontro entre a escritora e o gnomo, Nils Holgersson, que viajara através da Suécia montado num ganso, surge a resposta às suas angústias…
No entanto, Nils só retoma a sua estatura humana quando impede a morte do seu amigo ganso destinado pelos pais à panela. No dia seguinte, os patos bravos da região preparam-se para nova migração, o rapaz vai-se despedir, não falando já a mesma língua.

A partir dos 10 anos.

 

Bibliografia passiva

Hanna A., Selma Lagerlöf, NY, 1936
J.S. de Vrieze, Fact and Fiction in Autobiographical Works of Selma Lagerlöf, 1958
Olson – Buchner, Elsa, The epic tradition in Gosta Berling Saga, Brooklyn,NY, Theodore Gaus, 1978