A Árvore Generosa
Silverstein, Shel - Figueira da Foz: Bruaá, 2008

 

A vida de uma árvore e de uma criança confundem-se no amor incondicional da primeira pela segunda.
Com traço minimalista, a preto e branco, a cor mora na interioridade dos afectos. O texto escrito é contido porque vive das entrelinhas.
Começa “Era uma vez uma árvore…”, a chave para o outro lado da Realidade. Como protagonista da narração, amou incondicionalmente o menino, sempre, começa por lhe dar as folhas para brincar, depois os frutos para saborear, o tronco para trepar, os ramos para balançar, a sombra para dormir. Nesta fase de infante, a criança, para não magoar a árvore descalça-se para trepar e o pormenor dos sapatinhos ao canto da página é enternecedor! … A ternura mútua é também visível no coração que ele desenha no tronco e, dentro, há Eu+A. Em breve, porém, um outro coração aparece na árvore com Eu+S – a turbulência de adolescente, os primeiros amores e as visitas do rapaz são mais raras. Com necessidades específicas, sem dinheiro no bolso, o rapaz manifesta esse desejo: a árvore despe-se dos seus frutos que ele vende.
Longo tempo passa sem se verem e, já homem, o menino de ontem precisa de madeira para construir uma casa: a árvore dá-lhe os ramos e fica sempre feliz. Insatisfeito com a vida e, homem maduro, o menino de então, precisa de um barco para navegar: ela despoja-se do tronco em que vai o coração da namorada adolescente. Finalmente, trôpego, acerca-se da companheira de toda a vida e o seu pequeno toco, com o coração dos dois, serve de assento para descansar.
“E a árvore ficou feliz”.

A partir dos 5 anos

Manuela Maldonado

 

O Autor

Shel Silverstein nasceu em Chicago a 25 de Setembro de 1930. Foi escritor, poeta, ilustrador, dramaturgo, letrista e cantor. No entanto, são os seus livros para crianças que deliciaram milhões de leitores por todo o mundo, que o vão tornar internacionalmente conhecido.