
A Ilha Encantada
Correia, Hélia – Lisboa: Relógio D’Água, 2008
Recomendada pelo Plano Nacional de Leitura, esta adaptação da peça de Shakespeare, intitulada “A Tempestade”, surge num belo texto elaborado pela mestria de Hélia Correia. É no Prefácio que a adaptadora dá conta das suas opções, inclusive do título, numa tarefa deveras complexa.
Não abundando os escaparates de literatura infanto-juvenil em textos dramáticos, é muito bem-vinda esta obra promissora de originais interpretações em teatro escolar.
Num cenário despojado, primeiro a bordo de um navio, depois numa ilha deserta, as personagens contracenam em ambiente de tensão dramática. A ilha não é identificada porque representa uma alegoria sobre a condição humana com as suas paixões, das mais nobres às mais mesquinhas. E, se começa por ser um espaço de magia, habitada por Espíritos e Elfos, convocados por Próspero para satisfazer a sua vingança, será também o lugar da redenção dos humanos envolvidos nos mais variados conflitos.
Despojado do ducado de Milão por seu irmão António, Próspero é lançado ao mar com uma filha pequena, Miranda, numa frágil embarcação. Aportados a uma ilha, são servidos por um selvagem disforme, que espera a ocasião de trair o amo imposto. Entretanto Próspero, estudioso do mundo da Magia, consegue dominar Espíritos e Duendes, preparando uma vingança contra o irmão e o rei de Nápoles que reconhece o usurpador como legítimo.
Quando o rei de Nápoles volta da Tunísia com António e respectivas comitivas, depois do casamento da filha com o Rei de Tunes, Próspero fá-los naufragar perto da ilha, usando os seus poderes.
Ao adensarem-se em terreno enxuto, o Mago separa-os, evitando salvações imediatas. Ao isolar Ferdinand, o filho do rei, e ao proporcionar o encontro com Miranda, o Amor vence propósitos de traições e vinganças, retornando o Mundo ao seu equilíbrio, depois do perdão dos prevaricadores. Próspero renega, também, aos seus poderes mágicos.
A partir dos 15 anos
Manuela Maldonado
| Biobibliografia: Hélia Correia nasceu em Lisboa em 1949. É licenciada em Filologia Românica e tem uma Pós-Graduação em Teatro Clássico. Poetisa, dramaturga, foi sobretudo no romance que se evidenciou, a partir da década de oitenta do século XX. Entre as suas obras, podem destacar-se: “O Separar das Águas”, “Montedemo”, “Adoecer”. |