
A Menina das cinco Tranças
Ondjaki – Ynari - Lisboa: Caminho, 2006
Introduzindo um contexto africano, a começar pelo nome da protagonista, esta narrativa aparentemente simples joga com conceitos muito importantes nas relações interpessoais, servindo-se das palavras, amizade, amor, permuta, paz. E porque os conceitos se servem de palavras na sua expressão, o livro também é sobre palavras.
A savana africana é o começo da viagem da protagonista, juntamente com um pigmeu, sem idade e muita sabedoria. O desiderato é alcançar uma aldeia recôndita, a do pigmeu, onde um casal de idosos guarda a sabedoria do mundo, renovando-a quando necessário. O ancião cria palavras, a anciã destrói-as quando elas são expressão de conceitos errados. Ynari sai da aldeia com o seu guia para validar uma palavra: permuta. Passa por aldeias em que reina a discórdia entre vizinhos, porque uns têm o que os outros desejam. Surgem então uma série de pequenas narrativas onde a guerra acontece pela ausência de um dos cinco sentidos, a porta de percepção do mundo. A menina, tal como a anciã, prepara fogo numa cabaça, inclui nela o motivo da discórdia e uma das suas tranças. No dia seguinte, a paz volta à região; e assim vai perdendo as tranças, um adorno feminino tão importante na sua cultura. O final é a expressão de uma cultura de tradição oral: “ E, como dizem os mais velhos, foi assim que aconteceu.”.
Danuta Wojciechowska, uma ilustradora muito conhecida e premiada, traz para o livro o colorido quente da savana africana num desenho figurativo de traço identificador culturalmente, servindo de suporte interpretativo do texto escrito. Ora ocupa páginas inteiras, posições de canto, de lateralidade, ou serve de fundo aos grafemas.
A partir dos7 anos
Manuela Maldonado
| O Autor
Ondjaki nasceu em Luanda, em 1977. Interessa-se pelo teatro e pelo cinema. Já editou contos, poesia e romances. Está representado em antologias internacionais e em portuguesas. É licenciado em Sociologia. |