
A minha primeira Sophia
Amaral, Fernando Pinto do – Lisboa: D. Quixote, 2009
É um escritor a falar de outro, neste livro e, por isso, surge uma interessantíssima biobibliografia de Sophia, para crianças e adolescentes, onde se cruzam as obras da poetisa para essas faixas etárias com “fait divers” bem humorados e aspectos nem sempre referidos da sua personalidade: a religiosidade, a intervenção cívica. E tudo num discurso digressivo, próximo da oralidade, que não o é, porque muito bem estruturado.
Das origens longínquas da poetisa fica-se a conhecer o seu bisavô paterno, vindo da Dinamarca, de quem herdou o apelido Andersen. A mãe, da família Mello Breyner, foi a responsável pela sua imersão nas histórias, ainda numa tenra meninice, gosto aumentado pelas narrativas das empregadas da casa, ainda que a outro nível, o popular, se bem que tudo o que ouvia era do espaço do maravilhoso.
A Granja, não é só o seu lugar preferido, a sua praia, é o seu “Reino”, por oposição ao “Habitat”. É nesse mar e nessas rochas que surge “A Menina do Mar”.
Também se fala nesta obra d’A Fada Oriana, d’A Noite de Natal, d’O Cavaleiro da Dinamarca, d’O Rapaz de Bronze, d’A Floresta …
Antecedendo o texto e depois da sua conclusão, aparecem versos da poetisa biografada num mar de algas, peixes e corais.
A ilustração de Helena Fragateiro interage com o texto escrito de uma forma harmoniosa, onde a cor é um significante importante, quer de exteriores quer de estados de alma.
A designer, Cathrin Loerke, com o trabalho de paginação, valoriza o traço da ilustradora.
A partir dos 8 anos
Manuela Maldonado
| Biobibliografia Fernando Pinto do Amaral nasceu em Lisboa em 1960. É poeta, crítico literário e tradutor de poesia. Entre os seus trabalhos de tradução conta-se o livro de Baudelaire: Les Fleurs du Mal. |