
A Rapariga das Laranjas
Gaarder, Jostein – Lisboa: Editorial Presença, 2007
Este professor de filosofia norueguês elege para a tessitura dos seus textos os afectos e os valores que lhes estão subjacentes. A que se junta uma imaginação prodigiosa na criação de situações corriqueiras que são tornadas únicas.
Desta feita, constrói-se uma narrativa sobre o valor da vida condenada, inexoravelmente, à morte.
Contado na primeira pessoa, o livro tem como protagonista/narrador um adolescente de 15 anos. Órfão de pai aos 4 anos, Georg, apesar das fotografias e de alguns filmes de ocasião, tem uma ideia do progenitor muito vaga.
Aluno interessado pelas matérias escolares, encontra na música fugas agradáveis para o que sente. Ao voltar de uma aula dessa disciplina, encontra a família reunida, isto é: mãe, padrasto, meia-irmã e os avós paternos, com ar muito solene. Os últimos, ao fazer arrumações, encontraram no forro do carrinho de Georg, quando bebé, uma carta de seu pai para ele, intitulada – A rapariga das laranjas.
Perplexo, mas curioso, e contrariamente à sua maneira de proceder, fecha-se no quarto, em privacidade total.
No começo da carta, o progenitor fala-lhe do telescópio de Hubble levado para o espaço em 1990, pela Discovery 25, entrando depois em órbita. A esse engenho cósmico, do ano da sua morte, deu-se o nome de “Olho do Universo”. Como a abertura da carta depende do momento em que for encontrada, este estratagema da citação do telescópio serve para o convidar a ver, a pensar e a analisar as questões que se irão pondo no decorrer desse legado escrito.
O Leitmotiv consiste nos encontros e desencontros do pai com a rapariga das laranjas, até no estrangeiro, acabando por se acharem definitivamente os dois num casamento de amor, ainda que curto pela morte de um deles. É, afinal, a história de seus pais transmitida num discurso intermitente, dadas as perguntas suscitadas pelas situações que o adulto propõe ao jovem analisar.
Na sala, fervilhando pela oportunidade de leitura, está a família que só saberá quando o adolescente acrescentar as respostas suscitadas pelas perguntas, resultando um livro escrito de parceria.
Georg abre, contudo, uma excepção para a mãe e com ela, numa noite enluarada, no terraço da casa onde viveu a lembrança mais nítida com o pai, revive, comentada pela mãe, a outra parte da história.
Tudo se torna nítido para o adolescente: a vida tem sentido se for vivida intensamente, ainda que em tempo breve.
A partir dos 12 anos
Manuela Maldonado
| Biobibliografia: Jostein Gaarder nasceu em Oslo em 1952. Foi professor de Filosofia e História das Ideias em Bergen. A partir de 1993, depois do êxito d’O Mundo de Sofia, dedica-se totalmente à actividade literária. A reacção dos seus filhos ao mundo que os rodeia é uma grande fonte de inspiração. Entre as suas obras, contam-se: O Mundo de Sofia, Olá! Está aí Alguém?, A Biblioteca Mágica, O Palácio do Príncipe Sapo, O Vendedor de Histórias. |