A vida nas palavras de Inês Tavares
Vieira, Alice – Lisboa: Caminho, 2008

 

Inês tem treze anos, idade das confidências e, naturalmente, nada mais conveniente que escrever um diário secreto, aproveitando uma oferta recebida na altura do dia de anos.
Em discurso oralizante, cheio de divagações, com recurso a gíria e a calão, conquanto bem estruturado, a adolescente pronuncia-se sobre o que a rodeia, essencialmente família, amigos, escola, programas televisivos.
O despertar para o amor está configurado num ídolo – Brad Pitt, capaz de alimentar uma convivência imaginária, em substituição das figuras inventadas nas brincadeiras de infância. Esta fixação por alguém mais velho, que a publicidade torna perfeito, percebe-se numa adolescente a quem a visão de rapazes, seus pares, cheios de borbulhas, desengonçados, desajeitados nas manifestações do dia-a-dia, desilude.
É interessante notar que as suas opiniões, cheias de um pessimismo natural da idade, são percorridas por um bom senso cheio de humor. Desta crisálida está pronta a sair uma borboleta, com os pés bem assentes na terra, também capaz de reconhecer os lados positivos e estimulantes da Realidade.

 

A partir dos 13 anos

Manuela Maldonado

 

Biobibliografia

Alice Vieira nasceu em Lisboa, em 1943. É licenciada em Germânicas pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa.
A partir de 1969 dedica-se profissionalmente ao jornalismo.
Em 1979 recebeu o Prémio de literatura Infantil, com “Rosa, minha irmã Rosa”, no Ano Internacional da Criança; em 1983 o Prémio Calouste Gulbenkian de Literatura Infantil com “Este Rei que Eu escolhi”.
Em 1989 decidiu dedicar-se por inteiro à escrita tendo até agora produzido umas dezenas de livros.