A Viúva e o Papagaio
Woolf, Virginia - Lisboa: Relógio D’Água, 2007

 

Este conto de Virginia Woolf foi escrito para colaborar num jornal diário que dois sobrinhos adolescentes escreviam para a família.
Uma viúva, muito pobre, velha e manca, recebe a notícia de uma herança milionária deixada pelo seu irmão. Desloca-se, com muita dificuldade, à terra onde seu irmão habitava e depara-se com uma casa em ruínas. No meio de tanta desolação só um papagaio, empresta vida ao local. Ele também faz parte da herança. Dinheiro é que, mesmo os advogados do falecido, garantem não haver. Entre a idosa e o papagaio estabelece-se uma forte ligação e é este último, deitando fogo ao pardieiro, que a leva às lajes da cozinha e indica o local do dinheiro escondido.
A viúva volta à sua terra e passa a viver com o seu cão Shaf e o papagaio James, morrendo em idade avançada.
Bem à maneira inglesa, o fantasma do papagaio continua a golpear com o bico as lajes da cozinha da casa incendiada.
A ilustração de Anisabel Sá Fernandes está de acordo com a ternura de sentimentos que envolve todo o conto: optou por aguarelas, exceptuando a primeira ilustração, a preto e branco, onde os dois protagonistas se encaram pela primeira vez, medindo-se.

A partir dos 7 anos

Manuela Maldonado

 

O Autor

Nasceu em Londres, em 1882 e morreu no Sussex em 1941. Filha de um notável historiador, Leslie Stephen, foi educada em casa, casando em 1912 com Leonard Woolf. O casal fundou a Hogarth Press, tornando-se a sua residência centro de reunião de um grupo de intelectuais e escritores, The Bloomsbury Group.
Virginia publica, a partir de 1915, atingindo o apogeu com “Mrs. Dalloway”. A sua técnica do monólogo interior ganha densidade e clareza expositiva em “The Waves” e “Orlando”. Escreveu estudos biográficos e foi autora de belíssimos ensaios críticos. É como romancista e como pioneira e introdutora de novas técnicas no romance psicológico que tem um lugar especial na história da literatura do século XX.