Antologia Poética
Baptista, Amadeu et alii Porto: Trinta por uma Linha, 2009

Do verso livre ao rimado, esta antologia poética, assinada por seis autores, é um motivo de festa para o ouvido, dado que a poesia, em primeira instância, deve ser um momento de escuta e impregnação. Sobretudo, aquando da iniciação a um texto tão peculiar cuja tessitura se apoia, essencialmente, no ritmo, servido ou não pela rima.
De Amadeu Baptista seleccione-se – Quando os arbustos, pela captação, em música poética, do instantâneo fugaz; de Francis Duarte Mangas – Aranha, pela significância do jogo de aliterações; de João Manuel Ribeiro – Cometa de cauda anão, pelo uso de uma rima contagiante a propor situações cinésicas; de Luísa Ducla Soares – O Triângulo, pelo ritmo irregular acentuando a passagem da Realidade indesejável à realização do sonho desejado; de Nuno Higino – Os vagabundos, pela toada melódica de uma única estrofe de grande significado existencial; de José António Franco – Três grandes gradeamentos verdes, pela moldura rítmica de um trava-línguas num nonsense renovado; de Vergílio Alberto Vieira – Comboio a carvão, pelo aproveitamento estrutural de uma lengalenga numa situação poética revisitada.
A ilustração de João Concha, figurativa, é servida por uma paleta de cores adequadas às situações sugeridas, no que toca a referentes, deixando o acesso à tessitura textual aos ouvintes/leitores.
A capa, pela escolha de parte da face de uma menina, identificável pelos caracóis e, sobretudo, pelo laço, privilegia os olhos e o ouvido. Os olhos porque são a legitimação do conhecimento do Real, o ouvido porque a poesia é música, podendo fazer ver de outro modo, legitimando essas descobertas igualmente.

Para todas as idades

Manuela Maldonado

 

Biobibliografia: Por ser uma obra colectiva, estes autores serão abordados quando se fizerem recensões singulares sobre livros individuais.