Anton
Vieira, Simão - Porto: Trinta por uma linha, 2009

 

O contacto com gentes e costumes de várias paragens do mundo, pelo fenómeno migratório, tem provocado uma escrita literária de contornos diversificados. Para crianças e jovens surgem, constantemente, narrativas ou textos dramáticos e, às vezes líricos, sobre a Diferença.
Porém, neste volume, Simão Vieira constrói uma diferença na Diferença: apresenta um diário de interioridade de um menino de Leste, pasmado pelas coisas que descobre noutro país diferente do seu e pela curiosidade que suscita entre os colegas, desde o aspecto físico até à aquisição de determinadas competências linguísticas, passando pelo nome.
A perspectiva do Anton não é amargurada, os sucessos fazem-se de pequenas conquistas, até descobrir uma linguagem universal: a matemática. A inserção num meio adverso faz crescer mais depressa e, por isso, Anton é um pensador. E até nisso o autor do volume é coerente com a perspectiva adoptada: como se trata de um diário de interioridade de um adolescente o discurso é fragmentado e fragmentário, acompanhado por caracteres grafemáticos de vários tamanhos na mesma palavra.
Porque escritor e ilustrador são a mesma pessoa, explica-se a consonância dos dois códigos em presença. Pela natureza do texto, a figuração é a da sugerência, não a da concretização. Nessa perspectiva, o cinzento é a cor predominante, expressão da incerteza, do desconhecido. No entanto, quando se fala de estruturação de afectos, quer na relação pedagógica quer inter-pares, surge o salmão ou o azul de aguarela. Só no reino da matemática, lugar privilegiado de Anton para comunicar, é que irrompe o verde determinadamente.

A partir dos 10 anos

Manuela Maldonado

 

O Autor

Simão Vieira vive em Leiria.. Em Coimbra fez o curso de Filosofia e o mestrado de Comunicação e Jornalismo. É professor de Filosofia e Oficina de Teatro. <br><br>Escreve regularmente para teatro e encena. Neste domínio, impulsiona três grupos, que também baptizou: “Casa dos Barulhos”, projecto de teatro do Colégio Doutor Luís Pereira da Costa; “A Fauna”, colectivo residente da Biblioteca de Instrução Popular, de Vieira de Leiria; e o “Pirautomático"