As cozinheiras de livros
Botelho, Margarida - Lisboa: Editorial Presença, 2008

 

Vencedor do prémio Maria Rosa Colaço, em 2008, este livro tem a particularidade de ser totalmente concebido e realizado por uma única pessoa, que assume a escrita, a ilustração e o arranjo gráfico. Daí, um diálogo perfeito entre todos os componentes.
A falta de livros numa biblioteca, numa cidade de leitores compulsivos, levanta uma série de questões e provoca a invenção de estratégias para ler os que ainda restam: lêem-se de baixo para cima, da direita para a esquerda, fazendo o pino, etc., etc. Quem consegue requisitar um livro ainda não lido apodera-se do volume.
Mas, à pergunta capital da inexistência de livros novos vai responder uma velhinha que sente a ausência de um cheiro peculiar: o do papel, e sabe que uma fábrica, no cimo do monte, se dedica a fazer livros. Nomeiam-se investigadores. Na fábrica encontram 7 cozinheiras, com 7 aventais e 7 fogões, de braços cruzados, já que no pomar, na horta e na estufa as plantas morreram. Das árvores mais altas saíam as consoantes, das mais baixas as vogais e da estufa os sinais de pontuação. Cada cozinheira tem o seu género literário: poesia, teatro, aventuras, mistério… Para renovar as plantas, cada investigador semeia então um livro, convite extensivo a todos os outros leitores. As plantas voltam a germinar e as filhas mais velhas das cozinheiras vêm ajudar, também em número de 7 o símbolo da perfeição, para um renovo desejado. Durante o Outono e o Inverno, à espera da maturação concluída, as cozinheiras experimentam, mentalmente, receitas novas.
“ E foi assim que numa nova cozinha, noutro tempo e noutro lugar se cozinhou esta história”.
Como ilustradora, Margarida Botelho opta por fotografias de figuras tipo fantoches, bem ao gosto do público-alvo. Também os utensílios culinários se assumem como fotografias de objectos de papel impresso visto que se a literatura é uma construção, não poderá, igualmente, ser entendida como um cozinhado?...
Predomina o tom azul, o do sonho, e o verde da terra, lugar onde tudo germina. Nesse pano de fundo os grafemas arrumam-se e desarrumam-se, no sentido de significâncias mais abrangentes.
Só a fotografia é da autoria de Marser Rainha Campos.

A partir dos 7 anos

Manuela Maldonado

 

O Autor

Margarida Botelho (Almada, 1979) formou-se em Arquitectura mas desde que se lembra sempre gostou de tintas, lápis de cor e folhas brancas para desenhar as palavras e as formas das histórias que inventava.
É co-fundadora do grupo de Teatro para a Infância “Rabo de Palha”. Já ganhou vários prémios Literários e participou em diversas exposições de Ilustração. Trabalha em Ilustração, Literatura Infantil e em projectos de Educação Artística.
Colabora com diversos serviços educativos de bibliotecas e museus, entre os quais o Serviço Educativo do Centro de Arte Moderna e o Serviço de Música da Fundação Calouste Gulbenkian. Em 2005 publicou o seu primeiro livro “Os Lugares de Maria” (história e ilustração) das Paulinas Editora. Em 2006 publicou o livro “A Casa da Árvore” (história e ilustração) como edição de autor.
Em 2007 frequentou na School of Visual Arts em Nova Iorque um curso de “Criação de livros para a infância” e ilustrou o livro “Os quatro comandantes da cama voadora” de David Machado para a Editorial Presença.