Barbi – Ruivo
Alegre, Manuel - Lisboa: D. Quixote, 2007

 

Trata-se de um poeta a falar de outro poeta!...
O livro, dedicado aos netos, possui no início um índice que ajuda a compreender a estrutura da proposta do tema: os primeiros contactos de Alegre com o autor d´ Os Lusíadas; o modo de "embarcar" no poema; a biografia camoniana.
Manuel Alegre, oriundo de um contexto familiar culto, desde cedo começou a entender Camões pela força do ouvido, dado que em sua casa se liam em voz alta composições camonianas, em serões familiares. Belíssimo modo de iniciação poética que deveria ser a generalizada... <br><br>Adolescente, Alegre encanta-se com os sonetos do poeta quinhentista que o preenchem liricamente, dado que Camões sabe "dizer o indizível".
Para Os Lusíadas há a sugerência de leitura a ser feita "como quem viaja de estrofe em estrofe", "descobrir outra vez de verso em verso, como Vasco da Gama, o caminho marítimo para a Índia".
Na terceira parte, na biografia camoniana, entrelaça-se lenda e realidade como é timbre em todos os escritos sobre o assunto por falta de certezas. Põe-se em relevo a herança que Camões deixou ao povo português: os seus versos.
Pedagogicamente, no final do livro, existe uma bibliografia passiva, no intuito de alargar os conhecimentos sobre o maior poeta português.
André Letria, um dos melhores ilustradores actuais, escolhe a materialidade do Livro como leitmotiv das suas varias realizações, visto que sendo Camões o símbolo por excelência do escritor e sendo a figura camoniana alguém sempre em trânsito físico e espiritual, é nessa representação que atinge a significância máxima do seu percurso.

A partir dos 13 anos

Manuela Maldonado

 

O Autor

Manuel Alegre nasceu em Águeda em 1936. Político e poeta, é de 1965 a publicação do seu primeiro volume "Praça da Canção". Poeta maior da literatura de intervenção dos anos 60, carrega na sua poesia as angústias e os anseios de uma geração marcada pela ditadura e pela guerra colonial.
Outras obras do autor: O Canto e as Armas, 1967; O Homem do País Azul, 1989; Senhora das Tempestades, 1998, prémio da APE_CTT; Cão como Nós, 2002; Rafael, romance, 2004.
Recebeu o prémio Pessoa pelo conjunto da sua obra.