Cuidado com o Rato Zarolho
Stilton, Geronimo Lisboa: Editorial Presença, 2009

 

Sob o nome do narrador/protagonista, que se reclama escritor do livro, esconde-se a verdadeira criadora: Elisabetta Dami.
O apelido de Geronimo é o nome de um famoso queijo inglês, tão de acordo com a personagem, que é um rato.
A fábula é um símile da realidade hodierna dos meios de comunicação, com concorrências desleais, corridas desenfreadas à aquisição de público.
O mundo que nos é proposto situa-se numa ilha, Ratázia, havendo verdadeiros achados de criação linguística nos antropónimos e topónimos da narrativa. Durante o decorrer da acção sabe-se que o narrador já publicou outros livros. Nesta aventura aparece como o director do jornal da ilha, o Diário dos Roedores, a que junta a exploração de uma editora, apreciada pelos bons títulos que põe no mercado. Este legado fora-lhe deixado pelo avô, com a condição de o aumentar. Entretanto aparece uma personagem sinistra, o Rato Zarolho, cuja identidade ninguém conhece. Mercê de elevadas quantias pagas aos financiadores de Geronimo, estes bloqueiam os financiamentos ao director do Diário. A falência será certa. Mas, Stilton lembra-se que nas páginas do seu jornal havia um anúncio interessante de um técnico de marketing. Ao pôr-se em contacto com ele, é aconselhado a deslocar-se com os seus empregados a todos os locais de venda directa dos jornais ao público. E outros estratagemas surgem… Porém, só o conselho de entrar num concurso televisivo de cultura o faz ganhar o milhão de que precisava.
Entretanto a sua secretária descobre a identidade do seu rival que não passa de um empresário de louça sanitária, muitíssimo inculto e, por isso, o jornal que criou não tem leitores. Como fala de um modo humilde, Geronimo ajuda-o a construir a Top-Art, empresa de manifestações culturais em que põe muito dinheiro, mas nada entende…
E Stilton retoma a sua empresa, que será certamente um novo êxito.
A ilustração e os grafismos são da edição original, italiana. A primeira é abundante, muito movimentada e cromaticamente chamativa.
O grafismo das páginas é um vaivém de palavras de vários tamanhos, em várias posições e cores, rumo às imagens, num movimento de espiral estonteante, que não dá lugar a pausas na leitura.
A tradução de Carlos Grifo Babo é de grande profissionalismo, evidenciando o conhecimento dos dois códigos linguísticos em presença.  

 

A partir dos 8 anos

Manuela Maldonado

 

Biobibliografia de um escritor imaginário e imaginado
Nasceu em Ratázia. É formado em Ratologia da Literatura Rática e em Filosofia Arqueorática. Dirige o “Diário dos Roedores”. Escreveu mais de duas dezenas de livros. Entre eles: Um manuscrito misterioso, O sorriso de Mona Ratisa, Agente secreto Zero Zero Kapa, O estranho caso do choco gigante.