Emília e o Chá de Tília
Pinheiro, Alexandra - Vila Nova de Gaia: Trinta por uma linha, 2008.

 

A rima do título do livro é prenunciadora de uma história para crianças e tributária de textos orais como provérbios e lengalengas. E, na verdade, a primeira página corrobora essa ideia com “Era uma vez”. O espaço tem um nome: Reino do Sorriso, mas não se sabe onde fica, e outro para a princesa, que é protagonista: Carlota. Apesar da sua beleza física, possuía uns apêndices desengraçados e incomodativos: uns pés grandes. A coincidência de uma Carlota com os pés grandes pode levar-nos ao ciclo carolíngio com Carlos Magno e sua mãe: Berthe aux pieds grands – Berta dos pés grandes…
Voltando a Carlota, a princesa, com a obsessão dos pés tinha um feitio muito difícil e só Constança, a aia persistente, vai encontrar solução para o problema. Ouviu falar de Emília, que mora na Aldeia da Calmaria, mais uma rima, e faz umas infusões ímpares. Leva-a ao palácio, antes da princesa acordar fazem o chá, de tília, e o cheiro invade os aposentos da princesa. Agradada segue o rasto do perfume, toma o chá e, para sempre, como nas boas histórias fica curada, indo nessa noite ao baile de máscaras onde talvez encontre o seu príncipe. Como todas as histórias de “Era uma vez”, além do final feliz para a princesa, Emília é nomeada fada oficial do Reino do Sorriso, porque a magia pode estar num chá de tília dado no momento certo.
A ilustração, da autoria de Sandra Nascimento, compete com o texto escrito, com vantagem, por vezes, como é de esperar num livro que é mais para ser ouvido e visto do que lido, destinado aos mais pequenos. Há a preocupação de encher as páginas brancas com motivos florais reais ou estilizados, personagens e espaços em miniatura, dado o destinatário para quem é difícil o conceito de vazio branco, a par de páginas inteiras de figuras que parecem saídas das mil e uma noites, das sagas medievais ou das matrioskas russas. Interessantíssima é a espiral que leva o cheiro do chá à princesa onde as volutas se diferenciam como se o chá estivesse a decompor-se e, simultaneamente apelasse para todos os sentidos da menina. A paleta cromática é variadíssima, apelativa e de muito bom gosto.

A partir dos 5 anos

Manuela Maldonado