Henriqueta, a tartaruga de Darwin
Letria, José Jorge - Lisboa: Texto Editora, 2009

 Muito a propósito, pela comemoração dos 200 anos do nascimento de Darwin, este volume de José Jorge Letria presta, atempadamente, homenagem ao grande naturalista da forma original que o escritor sempre encontra: engendra a biografia do cientista contada pela tartaruga Henriqueta que ele trouxe das Galápagos com outros animais. Ambos viajaram no Beagle e conversavam…

Com uma infância feliz no seio de uma família abastada, a escolha de uma profissão, na juventude, causou-lhe problemas. Cursa, por fim, Teologia, contrariado, até um tutor da Universidade lhe transmite um convite do Almirantado para acompanhar o capitão Fitz Roy numa viagem à volta do mundo no sentido da elaboração de “um mapa pormenorizado de extensas áreas da costa sul-americana”. Durante a elaboração dos mapas, Darwin colecciona rochas, plantas, fósseis e espécies animais que envia para Londres acompanhados de notas.

Regressado cinco anos depois, começa a redacção da “Origem das espécies”. Casa com a prima Emma, mudando-se para Downe, o campo inglês, onde há melhores ares e sossego, dado que o naturalista está a envelhecer precocemente, devido a doenças contraídas durante a viagem. Depois de Londres, porque foi enviada para um jardim zoológico da Austrália, Henriqueta conta em segunda mão, pelas notícias que lhe chegam. Em 1858 é publicado o volume – Origem das espécies. A sua teoria, colidindo com a explicação bíblica, vai causar-lhe imensos dissabores: os poderes públicos ignoram-no e só, aquando do seu falecimento, recebe honras na Abadia de Westminster, onde está sepultado. Porém, Henriqueta, continua a narração com as grandes catástrofes do século XX: as duas grandes guerras e as bombas atómicas de Hiroshima e Nagasaki.

No último capítulo, o doador da narrativa é o escritor que coloca num além, dentro das nuvens, a tartaruga Henriqueta, falecida em 2006 e Darwin, conversando, e deixa ao narratário o direito de acreditar ou não no encontro dos dois nas Galápagos.

A ilustração de Afonso Cruz agiganta as silhuetas de Henriqueta, dos outros animais, põe em relevo o Beagle e cenários naturais, enquanto reduz a silhueta humana porque o homem é só um dos elos da cadeia. Há, todavia, duas excepções, exprimindo sentimentos: de Darwin quando da incompreensão da sua obra; de Emma, imponente do alto das suas convicções religiosas. A ilustração ocupa páginas inteiras funcionando como exemplificação visual do texto escrito.

A partir dos 8 anos

Manuela Maldonado

 

O Autor

José Jorge Letria nasceu em Cascais, em 1951. Estudou Direito, História e História da Arte e possui uma pós-graduação em Jornalismo Internacional.
Jornalista, autor de programas de rádio e de televisão, nomeadamente fazendo parte da equipe criativa da “Rua Sésamo”, em Portugal.
Tem recebido inúmeros galardões pela sua obra publicada. Em 2002 integrou a lista “Books and Reading for Intercultural Education” da União Europeia com o seu livro para crianças “O Homem que Tinha uma Árvore na Cabeça”.