
Mistério no Museu de Arte Antiga
Reis, Patrícia - Porto: Quidnovi, 2008
Sendo um dos volumes da série: O diário do Micas, situando-se a acção num dos mais conhecidos museus portugueses, é o pendor de detectivesco de um grupo de crianças em férias, integrado nas actividades da instituição, que torna a narrativa mais empolgante.
Na verdade, o Micas, que é Henrique de nome de baptismo e o protagonista da série, tem uma imaginação e energia transbordantes. Porque são férias, a mãe e a avó trabalham duramente, o pai encontra-se no Brasil e o irmão mais velho, o Sebastião, recusa o baby-sitting, o garoto é entregue ao avô, chefe-jardineiro dos espaços verdes do Museu de Arte Antiga. Conhecedor de todos os recantos, o Micas, quando chega o grupo de rapazes e raparigas para as actividades educativas do museu, assume-se, com a monitora, guia da primeira visita ao local. Beatriz, uma simpática jovem que trabalha nas férias para custear os estudos, é a monitora.
Ao chegar à cave, na visita ao edifício, há sinais de arrombamento!... E começa toda uma saga de investigação pelas crianças para descobrir o intruso e o que pretende. Entretanto, a Judiciária interroga uns holandeses, negociantes de arte recém chegados a Portugal. No grupo, o Vasco Maria que, além de gostar muito de comer, é um investigador nato, atento às notícias, descobre que um holandês do século XVIII viveu no Palácio, hoje museu, deixando uma carta onde afirma ter escondido no edifício um conjunto de diamantes raríssimos. Essa informação conseguiu-a Vasco numa carta do museu em neerlandês, a língua da Holanda, dado conhecê-la por ser filho de uma diplomata que exerceu o seu trabalho em Amesterdão por largos anos.
O grupo, constituído por capacidades individuais muito diversificadas, consegue encontrar os diamantes na Capela do Palácio.
E foi assim que as férias no Museu de Arte Antiga superaram todas as expectativas.
No final do volume há um capítulo intitulado “Saber Mais “, informando sobre a História do Palácio/Museu, recheios, primitivos donos, assim como dá achegas importantes sobre diamantes e sobre a instituição chamada Policia Judiciária.
A ilustração de Pedro Alves é a preto e branco, com desenho figurativo, ocupando páginas inteiras como prolongamento visualizado do texto escrito. Excepção feita à capa onde constam elementos indiciadores do local, vendo-se a arquitectura em arco das galerias, uma escultura e uma custódia em ouro, amostras do recheio. O Micas e a Inês, a decifradora do mistério, sentados nos bancos da capela, com uma lanterna, olham para uma silhueta em tons escuros: o malfeitor, o holandês, o Marquês de Pombal, ou o fantasma do edifício?
A partir dos 8 anos
Manuela Maldonado
| O Autor
Patrícia Reis nasceu em 1970. Em 1988 era jornalista n’O Independente. Passou por revistas como Sábado, Elle, Marie Claire, sendo, presentemente, editora da Egoísta. Escreveu uma curta biografia sobre Vasco Santana, novela e romance. Na literatura infanto-juvenil é autora de “O Diário do Micas” e “A Fada Dorinda e a Bruxa do Mar”. |