Ninguém Perguntou por Mim
Mota, António - Vila Nova de Gaia: Gailivro, 2008

 

A interioridade de Entre Douro e Minho, apesar dos atrasos conhecidos, na obra de António Mota, cheira a um ruralismo saudável, onde a paisagem, as tradições, as superstições, a gastronomia, a boa vizinhança constroem uma atmosfera edénica, a que o tempo cósmico preside. Mas as personagens, embora ingénuas, têm o sentido de uma realidade outra e, por isso, procuram os grandes centros para progredir como emigrantes ou imigrantes. <br><br>É o caso deste volume, em que o pai de um núcleo familiar de prole numerosa procura em França as oportunidades que Montepó não lhe oferece. Significativo o nome da aldeia com sugerências de aridez e desertificação. Abílio, o filho mais velho, vai encontrar uma oportunidade numa tipografia a trabalhar com um tio, bem próximo de Ana Teresa, o seu amor adolescente. Os animais e a velhice merecem uma perspectiva ternurenta por parte do narrador.
Como esta narrativa é a continuação de um outro volume, no início, originalmente, apresenta uma comunicação por “mail” entre uma aluna de Aver-O-Mar e o autor que o incentiva a continuar a saga, o que acontece. Na resposta, António Mota refere-se ao fenómeno da criação literária que é caprichoso e de grande instabilidade. Daí, o leitor ter de ser paciente.

A partir dos 10 anos, dada a ausência de ilustração.

Manuela Maldonado

 

O Autor

Sobejamente conhecido, é, actualmente um dos autores mais lidos e premiados da Literatura Infanto-Juvenil portuguesa. Tem cerca de setenta títulos publicados.
O Plano Nacional de Leitura seleccionou grande parte da obra para figurar no seu cânone.
Entre outros recebeu em 1983 o Prémio da Associação Portuguesa de Escritores pel’O Rapaz de Louredo; em 1990, com Pedro Alecrim, o Prémio Calouste Gulbenkian de Literatura para Crianças; em 1996, com A Casa das Bengalas, o Prémio António Botto e, em 2004, o Grande Prémio Gulbenkian de Literatura para Crianças e Jovens, com Se Eu Fosse Muito Magrinho.