O Crescer das Árvores
Higino, Nuno - Porto, Campo das Letras, 2003

 

O volume ocupa-se da visão, por uma criança, da monstruosidade da Guerra, ainda que mediada por um narrador omnisciente que segue o desenvolvimento dos mecanismos infantis do protagonista para a superação do Horror.
O espaço dos acontecimentos é sugerido pelo nome do protagonista – Bashu, e pelo saco de sal que o menino vai comprar à aldeia vizinha e servirá de objecto de troca por bens essenciais aquando da sua fuga da guerra, sozinho, visto que a família e os amigos morreram na tragédia. A fuga é o primeiro momento de superação dos acontecimentos, a que se segue o sono e o sonho na floresta densa. Este é um local misterioso mas, simultaneamente um abrigo. Provavelmente, o seu adormecer na floresta será em posição uterina porque a Terra é Mater, quente e protectora, favorecendo o sonho. Sempre que acorda, vê a sua saca de sal menos volumosa, mas, ao lado, há pão e peixe seco; provavelmente dos desalojados, em fuga também. Numa noite de lua cheia, durante o sono, sonha com Rachid, o inseparável companheiro de brincadeiras, o reencontro será uma realidade nos arrozais, para cá da floresta.
Do desenraizamento geral, restou a amizade de dois rapazes que, metaforicamente, ao tocar música fazem germinar e ondular os arrozais e crescer as árvores, visto que eles são sinal de uma nova era: a da Ressurreição, da Esperança e da Vida.
A ilustração de José Emídio, optando por figurações aguarelísticas, sob forma de postais ilustrados de cores suaves, esparsos em diálogo com o texto escrito, serve a vacuidade das representações temáticas, numa escrita em que o sonho e a imaginação de uma criança são chave de entendimento num contexto de sugerência violenta.

A partir dos 8 anos

Manuela Maldonado

 

O Autor

Nuno Higino nasceu em 16/07/1960 em Sendim, Felgueiras. Ordenado padre em 1985.
Durante 4 anos foi educador e professor de português no Seminário do Bom Pastor. Entre Novembro de 1988 e Setembro de 2001 foi pároco de Fornos, Marco de Canaveses, tempo durante o qual foi construída a Igreja de Santa Maria, com projecto de Álvaro Siza Vieira.