
O dono da festa
Bertoni, Estêvão - Lisboa: Editorial Presença, 2008
Ganhador do Prémio Branquinho da Fonseca, em 2007, com este livro, o jovem escritor brasileiro encontrou uma maneira curiosíssima de falar de amor, união e entreajuda.
Concebendo uma festa com convites, em vez de convidados de figurino tradicional, aparecem partes de um corpo humano que ora se guerreiam ora se pacificam, acabando por formar uma só pessoa em que os afectos são as realidades mais importantes da vida. Assim, é o coração que comanda.
Naturalmente que só um vendaval amoroso conseguiria fazer tal milagre!...
A par da ideação originalíssima de uma situação, há, concomitantemente, um vendaval linguístico pelo uso reiterado e oportuno de frases idiomáticas da língua portuguesa, há muito codificadas, como: fazer cara de poucos amigos, de mãos a abanar, pôr as cartas na mesa, vão-se os anéis, mas fiquem os dedos. São estas frases o verdadeiro cerne do diálogo nas aceitações e rejeições dos vários convidados. Outra mais valia é o fino humor, muito divertido, que envolve a narrativa, criando uma atmosfera particular.
No final do livro há a inventariação, por ordem alfabética, das expressões idiomáticas utilizadas, bem como o convite ao jovem leitor de tentar descobrir os seus verdadeiros significados.
A ilustração de Bernardo de Carvalho acompanha a proposta do escritor, apresentando o corpo humano em módulos; na última página propõe a sua completude na forma de puzzle a construir. Na capa, a preferência vai no sentido de realçar as duas instâncias mais importantes do homem: a cabeça e o coração, estando também presentes os órgãos dos sentidos.
A opção do design por folhas diversamente coloridas, além de permitir a leitura subliminar das intenções e desejos do aqui e agora, favorece a inserção da ilustração modular em qualquer sítio da página em diálogo com o texto escrito.
A partir dos 10 anos
Manuela Maldonado
| O Autor
Estêvão Bertoni é um jovem estudante brasileiro residente no estado de Minas Gerais. O Dono da Festa venceu o Prémio Branquinho da Fonseca 2007, atribuído pela Fundação Calouste Gulbenkian e pelo semanário Expresso. |