
O Gigante Egoísta
Wilde, Óscar - Lisboa: Nova veja 2003
Este volume de Óscar Wilde para a infância é, na verdade, constituído por dois contos: o que dá o titulo ao livro seguido de outro, “O Príncipe Feliz”. Bem ao gosto romântico, as narrativas estão estruturadas na dicotomia: riqueza, pobreza; bem , mal, no sentido literal e no dos afectos.
No primeiro caso, o Gigante é a personificação do egoísmo e da riqueza. Possuidor de um lindo castelo e de um jardim esplêndido onde as crianças costumam brincar, sem sentido dos outros, manda amuralhar o jardim para ficar inacessível. A justiça é feita pela Natureza que decreta inverno permanente no jardim e no palácio. Mas, a persistência das crianças abre um buraco no murro, voltam as brincadeiras e, por onde passam, a Primavera chega. Avisado por um pintarroxo, o gigante vem à janela, cai em si, e ajuda um petiz lá ao fundo do jardim que não consegue subir às árvores. O reencontro com este menino vai dar-se à hora da morte: é Jesus que o leva consigo.
O segundo conto passa-se entre seres animados pela imaginação: uma estátua preciosa, de ouro, safiras e rubis, representando um príncipe que morrera e uma andorinha que atrasa a sua migração para o Egipto porque se apaixonara por um junco. Ao acolher-se aos pés da estátua, as personagens entabulam conversação no sentido do príncipe pedir à ave que lhe arranque tudo o que é precioso e o vá dar aos pobres, já que durante a sua existência ignorou esses seres humanos. Tão atarefada se encontra a andorinha que não dá pela chegada do inverno. Morre, enquanto a estátua, agora sem valor, é levada para a fundição. Só o coração de chumbo não se derrete, é atirado fora e vai cair junto da andorinha morta.
A tradução de Ersílio Cardoso é cuidada e a ilustração de Fátima Afonso recorre as apresentações do maravilhoso dos contos de fada que a memória infantil guarda.
A partir dos 7 anos.
Manuela Maldonado
| O Autor
Oscar Wilde nasceu em Dublin em 1854 e faleceu em Paris em 1900. |