
O homem que não queria sonhar e outras histórias.
Magalhães, Álvaro - 4ª ed., Porto, Asa, 2001.
Este volume compõe-se de pequenas histórias em que se problematizam situações variadas. Em “Um segredo mal guardado”, em “O espelho” e em “O cantor e a rosa”, fala-se de situações de comunicação: o segredo confessado deixa de o ser; o espelho, pela sua duplicação de imagem, desvenda sentimentos amorosos; a rosa troca a beleza efémera pela perenidade da música e da voz. Em “9 horas? Nunca mais” reflecte-se sobre a situação do tempo: o constrangimento da subordinação a horários é recusado pelas nove horas de um relógio que se refugia sem retorno num “quando” intemporal.
O conto que dá o título ao livro é uma versão infantil do “Fausto” pelo pacto entre o protagonista e o Senhor do Dia e da Noite. O segundo compromete-se a apagar a fronteira do sonho e tudo se torna Realidade na vida do protagonista. Esse facto vai provocar a recusa do acordar no último Sonho que é o da sua própria morte.
A última narrativa – O livro que nunca acaba – é uma modalidade das “Mil e Uma Noites”, visto que nos fala da inscrição de cada um no livro da vida que finaliza na morte, mas que se repete indefinidamente.
O ilustrador, António Modesto, fiel ao seu traço, muito pessoal, rasga nas páginas pequenas ou grandes janelas, sublinhando os motivos dos contos.
A partir dos 8 anos
Manuela Maldonado
| O Autor
Álvaro Magalhães nasceu no Porto em 1951. Começou por escrever e publicar poesia no início dos anos 80. O seu primeiro livro para crianças surge em 1982 – História com muitas letras. Num universo de mais de três dezenas de títulos encontra-se conto, poesia, textos dramáticos. A sua obra para a infância é uma imersão permanente na imaginação e no sonho, “factores poderosos da modelação do ser”. |