
O Mistério da Torre Verde.
Paianidou, Elli - Porto: Sempre em Pé, 2007.
Os problemas ecológicos e, sobretudo, os que se ligam ao desaparecimento de espaços verdes substituídos por florestas de cimento são recorrentes na literatura infanto-juvenil.
Desta feita é pela mão de uma autora cipriota que o tema é desenvolvido. Na primeira pessoa, sob a forma de diário, o adolescente Estácio, habitando um apartamento em frente à Torre Verde, vê e observa curiosamente a vida na única vivenda do bairro, que é totalmente rodeada pela Natureza. Chamada de Torre Verde, é ocupada por uma única personagem, o tio Tomás (um intertexto com “A Cabana do Pai Tomás”) já idoso e sempre atarefado em serviços de cultivo e manutenção. O jovem Estácio e o tio Tomás travam conhecimento e o narratário fica a saber a vida e a situação actual do proprietário da Torre, através das conversas dos dois enquanto se ocupam do pomar, do jardim e da horta. Nesta convivência naquela éden em vias de extinção, o jovem diarista procura respostas para as perguntas existenciais próprias da sua faixa etária. Por outro lado, toma conhecimento dos hábitos frugais do vizinho e da sua história de vida, onde não falta a paixoneta da filha de família pelo filho do jardineiro… Separados compulsivamente, põe ser o primeiro amor de uma jovem herdeira, ao tio Tomás ser-lhe-á entregue a Torre Verde como legado. Porém, a sua extrema velhice e subsequente morte prometem acelerar o desaparecimento deste recanto natural pela ganância dos herdeiros. Com o desaparecimento do seu cão Áris, o primeiro sinal de que estão atentos é bem evidente. Mas, há alguém, fora da família, a quem Tomás quer deixar o legado: Mónica Olivier, descendente do seu grande amor e cujas visitas, ainda que raras, são uma grande compensação. Estácio, apoiado pelo amigo Lákis e o pai deste, um jornalista, procuram Mónica, a residir em França, depois do dono da Torre Verde ter feito um testamento em nome da menina, facto ocorrido perante o jovem, e assinado por dois empregados.
Esta é a primeira parte da narrativa, constituindo a Introdução. A partir deste momento o doador da narrativa passa a ser o jornalista: encontra Mónica que salva o pulmão verde da cidade, fazendo da Torre uma biblioteca para crianças e da zona verde um parque público.
Além do leitmotiv do livro, outros problemas actuais percorrem a escrita como os problemas das famílias monoparentais, a ganância dos políticos…
Pedagogicamente elaborado, o volume antecede a narrativa com notas sobre a autora, com marketing de algumas personagens, com informações sobre o local, a época da trama, a ilha de Chipre, história e língua.
Livro para jovens, não possui ilustração, excepção feita à capa, onde a zona verde e a habitação são rodeadas de arranha-céus em que os segundos, pela sua altura, desprovidos de grandes aberturas para o exterior, assumem o aspecto monstruoso de devoradores da beleza e do bem-estar.
A partir dos 12 anos
Manuela Maldonado
| O Autor
Elli Paianidou nasceu em 1940, em Vasa. Viveu em Chipre, na Grécia e em Nova Iorque, residindo actualmente em Lemessó. Trabalhou como escritora e jornalista para a imprensa, a rádio e a televisão, tanto em Chipre como na Grécia. Escreveu livros para adultos, para crianças e para jovens, alguns deles traduzidos para outras línguas como o italiano, o eslovaco, o húngaro, o búlgaro e o esloveno, Premiada várias vezes pelo Ministério da Educação cipriota, recebeu o Prémio da União da Literatura para crianças e Jovens. É membro da União Internacional da Crítica Literária, entre outros cargos. |