
O Príncipe do Rio
Alegre, Manuel – Lisboa: Dom Quixote, 2009
Todo o livro é um poema à imaginação, à descoberta do outro lado das coisas, ainda que sob a forma de narrativa, até porque começa: Era uma vez… que é uma das fórmulas mágicas de abrir o outro lado da realidade; porém nem todos conseguem ultrapassar a prova fronteiriça.
Com um elenco minimalista de personagens humanas, um casal e o filho João, só as figuras masculinas, ambas pescadores no silêncio envolvente da natureza, entendem as vozes que não são humanas. A mãe, demasiado envolvida no ruído do dia-a-dia, não tem essa capacidade de escuta.
Mas, o verdadeiro protagonista é um pirilampo, preso num salgueiro à borda do rio. Ele é o Príncipe das águas e só uma criança poderá retirá-lo do cativeiro. Como recompensa, nesse dia João pesca um grande achigã.
A simbologia da narrativa é enriquecida pela luz que o pirilampo projecta na noite e pelo canto triste do rouxinol que cessa quando o sol criador apaga as sombras.
O traço de Danuta Wojciechowska ora figurativo, ora estilizado é um contraponto dialogante com o texto poético. Nos passos solares da narrativa, o texto escrito e o texto icónico seguem em paralelo, embora nos passos nocturnos o icónico invada o escrito numa simbiose harmoniosa.
A designer, Patrícia Cortes, responsável também pela paginação atrás referida no que diz respeito à ilustração, coloca ainda importantes motivos de narrativa, isoladamente, em páginas maioritariamente ocupadas pelos grafemas, sublinhando conceitos, afectos. Interessante a ideia de uma coroa, já que o livro fala de um Príncipe, na primeira página, onde pode ser escrito o nome do possuidor do volume.
A partir dos 5 anos para ouvir
A partir dos 7 anos para ler
Manuela Maldonado
Biobibliografia: Nascido em Águeda, em 1936, Manuel Alegre publicou o seu primeiro volume poético em 1965, intitulado “Praça da Canção”. Outros volumes se seguiram. Em prosa, entre outras narrativas, é autor d’O Homem do País Azul e de Cão como nós. |