O Rapaz do pijama às riscas
Boyne, John - Porto: Asa, 2007.

 

Sobre o holocausto têm-se publicado, para jovens, principalmente, testemunhos do lado das vítimas. Começam de momento a emergir no mercado outros livros, estes do lado alemão, sobre aqueles momentos configurados em personagens que, ou pela sua idade ou por uma existência social fora dos meandros do poder e do histerismo ariano, passam, momentaneamente, ao lado da perseguição e chacina judaicas bem como de outras raças consideradas inferiores.
Editado em Inglaterra, em 2006, este volume, pelos olhos de Bruno, menino berlinense alemão, socialmente privilegiado, dá-nos o percurso paulatino da descoberta de um campo de concentração na Polónia. É através da amizade que o menino alemão vai fazer com um garoto judeu atrás do arame farpado. O facto da permanência de Bruno em território polaco deve-se à circunstância do seu pai ser uma alta patente militar que Hitler designa para o cargo de chefia desse lugar da morte. Na família, há divergências opinativas quanto aos acontecimentos: o pai comunga nos ideais de Hitler; a mãe, com outra sensibilidade, olha de longe as ocorrências, impotentes, acabando por se refugiar no álcool e fazendo "sestas" com cada vez maior frequência; a irmã, Gretel, de treze anos, com uma adolescência a desabrochar, gosta dos militares jovens que frequentam a casa do pai e entusiasma-se com as vitórias da ofensiva alemã pela Europa, numa primeira fase; Maria, a fiel empregada que os segue, oriunda do povo, percebe e sofre com o que se passa ali e no seu país. A vinda para a Polónia arrancou os irmãos ao ser conforto e aos seus amigos. O campo de concentração está longe da habitação que lhes foi destinada mas, da janela do quarto, Bruno vê uma multidão de pijamas às riscas que se move numa superfície de aquartelamento. Às suas dúvidas e inquietações ninguém responde, por ignorância ou por ocultação. As dúvidas são suscitadas, por exemplo, pela magreza excessiva de Pavel, um dos do campo, que serve à mesa e descasca legumes na cozinha; pela altivez e pesporrência dos militares que visitam a casa; pelos dos pijamas as riscas... Desagradado com o professor particular que lhe dá aulas porque aboliu do currículo os seus temas preferidos: a literatura e a arte, substituindo-os por história e geografias expansionistas, Bruno resolve internar-se na floresta que rodeia a casa, sempre junto do arame farpado, que o intriga, para não se perder. Numa folga da cerca, o menino alemão encontra um garoto de pijama as riscas e, a partir desse momento, nasce uma grande amizade. Todavia Samuel, apesar de ter sofrido muito num vagão fechado até chegar de comboio àquele sítio, de ter sido separado da mãe, da irmã e da avó, e de ter ficado com o pai e o avô, pela sua idade desconhece todo o âmbito da tragédia. Intriga-o o desaparecimento do seu avô e depois o do seu pai. É nesta altura que Bruno entra no campo para ajudar o amigo e nunca mais são vistos, porque ao penetrar numa sala cheia de gente de pijama às riscas a porta fecha-se inexoravelmente: estão numa câmara de gás...
A família do militar regressa à Alemanha e desconjunta-se, assim como o país.

A partir dos 12 anos

Manuela Maldonado

 

O Autor

John Boyne reside em Dublin. Ensinou língua inglesa Trinity College e literatura criativa na universidade de East Anglia, onde foi galardoado com o premiu Curtis Brown.
Já escreveu cinco romances, está a começar um outro, tendo ainda publicado contos em antologias.
Do livro "O Rapaz do pijama às riscas" e está a ser filmada uma adaptação.