
O tempo não pára.
Hoeye, Michael - 11ª ed., Lisboa, Presença, 2003.
Michael Hoeye, escritor norte-americano, psiquiatra de formação, neste seu livro, o primeiro de uma trilogia, constrói uma narrativa de espionagem científica com raptos e mortes, a partir de uma fábula, já que os intervenientes são ratos, ratazanas, martas e toupeiras. Todas estas criaturas moram na cidade de Pinchester e o protagonista – detective é Hermux Tantamoq, um relojoeiro de grande gabarito que se apaixona, à primeira vista, por uma cliente – Linka Perflinger, aviadora destemida e aventureira.
A verosimilhança das personagens é feita pela adequação de produtos alimentares, de animais de estimação à escala de ratos, ratazanas… Imagine-se que Hermux tem, numa gaiola, a sua joaninha, e come queijo, maçãs, mas também donuts, traço distintivo de hábitos americanos.
Interessantes são as onomatopaicas subjacentes aos nomes das várias personagens, indiciadoras das suas actividades. Por exemplo: Linka Perflinger – os ruídos de um motor a arrancar, a tomada de altura e o cortar do espaço.
Há uma ligação intrínseca entre o título e a profissão da personagem principal dado um relojoeiro, ao consertar os mecanismos, fazer do tempo um princípio sem retorno.
A ilustração é uma ausência no volume, com excepção de um mapa nas primeiras páginas e o minúsculo desenho de um objecto no início de cada capítulo, de acordo com o conteúdo.
Por esta razão e pela extensão e natureza da narrativa, é um livro da puberdade.
A partir dos 13 anos
Manuela Maldonado
| O Autor
Michael Hoeye veio do Oregon para Nova York nos anos setenta. Nesta cidade exerceu várias profissões: designer de têxteis, fotógrafo de moda, terapeuta. Licenciou-se em psiquiatria e religião na “Union Theological Seminary” em Manhattan. Voltou para o Oregon para se casar com a namorada de sempre, Martha Banyas, vivendo em Oak Grove. |