
O Velho e os Pássaros
Mota, António - Vila Nova de Gaia, Gailivro, 2003
Nesta narrativa, António Mota, na sua maneira aparentemente simples de contar histórias, constrói, estruturando, as suas personagens, que são a prefiguração do Bem e do Mal, representadas, respectivamente, pelo colectivo de uma aldeia de homens e mulheres trabalhadores e solidários, e pelo individualismo egoísta do Senhor das terras, que vive isolado no seu grande palácio. Apesar da injustiça da situação social em que uns se esforçam para o bem-estar de um só, a aldeia, de tipo edénico, curiosamente chamada de Pedrinha do Sol, vive e sobrevive equilibradamente. O desastre dá-se quando uma praga de pássaros disformes, uns monstros meio aves, meio roedores come toda a colheita. O senhor da terra nega qualquer ajuda.
Até que… o equilíbrio natural se repõe quando uns pássaros de bico verde e penas laranja, imagem da esperança e da acção, expulsam os monstros, vingando as sementeiras. Em homenagem aos libertadores, com um monte de feno recoberto de panos de variadas cores, os aldeões improvisaram um altar a estes animais alados. O senhor do castelo, irritado pela transferência das homenagens, deita fogo, de noite, ao monte de feno. Mas, num último gesto de justiça, os pássaros moribundos, voando como bolas de fogo incendeiam o castelo e arredores à sua passagem. O senhor das terras bem gritou; “ninguém apareceu”. Todos “estavam na eira tentando salvar os pássaros”.
A ilustração de Elsa Navarro, cumpre, figurativamente, as intenções do texto escrito, e porque metafórico, utiliza a caricatura como timbre de representação. E, como na Pedrinha do Sol, as cores do espectro são desdobráveis, elas escorrem na paisagem e nas personagens, segundo a respectiva natureza e procedimentos. A última página ocupa-se dos pássaros de bico verde a voar ou não se trate de um final característico de uma história para crianças, prevalecendo o Bem sobre o Mal.
A partir dos 8 anos
Manuela Maldonado
| O Autor
António Mota nasceu em Vilarelho, Ovil, concelho de Baião, distrito do Porto, em 1957. É professor do ensino básico desde 1975. |