
Pássaros na Cabeça
Rosell, Joel Franz - Lisboa: Kalandraka, 2006
“Pássaros na Cabeça” é uma alegoria sobre o que são ideias justas para o bem-estar colectivo e o que são ideias egoístas pela sobreposição do bem-estar individual ao dos outros. As personagens principais são um rei e três ministros que, sem ser por acaso, são o da Defesa (um militar), o da Economia e o de Tudo o Resto. O protagonista, já velho, o rei, quer que o seu povo viva feliz e em paz. Porém, os ministros têm outros sonhos: o da Defesa quer declarar guerra aos povos vizinhos, ganhando honrarias e reconhecimento geral; o da Economia quer criar um imposto original para ficar na História; o de Tudo o Resto quer sacrificar uma lagoa, usufruto colectivo de lazer, pela construção de uma estrada por vaidade pessoal. O monarca costuma receber o seu governo na sala do trono, ouve as propostas, escusando-se a responder de imediato. Para pensar, senta-se num trono de cana e palha, no terraço do palácio onde os pássaros adejam no final da tarde. Estes pássaros representam pensamentos de justiça e equidade que se desenvolvem na cabeça do rei e o levam a boas decisões. Corrompido por os ministros, o mordomo coloca espantalhos no terraço. Os pássaros deixam de aparecer, o monarca, debilitado pela velhice não se apercebe da causa. Mas um morcego, senhor de visão nocturna e do mundo às avessas, é que o adverte da situação. O castigo para os ministros, que até tinham qualidade, a partir desse momento, foi a de ter sempre pássaros na cabeça, reconhecendo que o bem-estar de todos deve pesar mais que o individual. E parece que foram todos mais felizes!...
A ilustradora, Marta Torrão, é uma boa intérprete das metáforas, desumanizando os traços das personagens e reinventando uns pássaros que o não são. O colorido de tons quentes marca momentos importantes, registando-se um diálogo estimulante entre o texto icónico e o texto escrito.
A partir dos 10 anos
Manuela Maldonado
| O Autor
Joel Franz Rosell (Cruces, Cuba, 1954) é escritor, crítico, professor e jornalista. Viveu em Cuba, Brasil, Dinamarca, França e Argentina, publicando uma dezena de livros para crianças nesses países. Algumas das suas obras foram adaptadas à televisão, rádio, banda desenhada e foto novela, ao teatro e à narração oral, principalmente no seu país de origem. A sua obra crítica e ensaística apareceu em jornais e revistas na Europa e América. |