
Querida Avó
Müller, Birte - Porto: Ambar, 2004
As perguntas inquietantes sobre o lugar para onde se vai depois da morte ensombram a cabeça de Felipa, uma menina andina, que sofreu, recentemente a perda da avó.
Desejosa de saber para onde foi a avó, para a visitar, pergunta ao burrico e ao porquinho Chancho. Porém, silêncio. O mesmo se passa com a interpelação às lamas que eram da avó. Ao perguntar à mãe, na hora de adormecer, fica a saber que está no Céu, no cume das montanhas nevadas. Corre à montanha, não consegue chegar ao topo, tendo sido resgatada pelo pai quando se perdeu. Este aconselha-a a não repetir a proeza porque as almas gostam de estar sós e são elas que visitam os vivos, uma vez por ano, na terra.
Assiste-se, então, a uma descrição maravilhosa da festa do primeiro e do segundo dia de Novembro, na versão dos povos dos Andes.
Contrariamente aos ocidentais, que têm da morte uma separação definitiva, a gente andina, nesta época de Novembro, confraterniza, concretamente, com a memória dos seus defuntos. Se, na véspera se enfeitam as casas, se fazem doces e outras iguarias, no dia seguinte, levam-se os enfeites para o cemitério, bem como as iguarias e, os ausentes tornam-se presentes.
A autora, que é também a ilustradora, captou estas histórias na Bolívia, onde estanciou com uma Bolsa.
Como ilustradora, optou por um traço expressionista, servida por uma paleta cromática de intensa luminosidade.
A partir dos 5 anos
Manuela Maldonado
| O Autor
Birte Müller nasceu a 7 de Setembro de 1973 em Hamburgo onde vive e trabalha. Depois da Faculdade, esteve na Austrália onde foi “au pair” numa família. De 1995 a 2002, frequentou a Academia de Ilustração de Hamburgo e, entre 1997/98, viajou para o México para estudar a arte local. Devido a uma bolsa, em 1999, pôde passar três meses na Bolívia onde realizou o seu trabalho de fim de curso, pelo que obteve o primeiro prémio como “Best Graduation Work of the Year 2002”, na Universidade que frequentou. |