
Trinta por uma Linha
Torrado, António - Porto: Civilização, 2008
Aproveitando uma frase idiomática portuguesa, António Torrado reúne neste livro histórias dispersas, já publicadas, e outras inéditas. Num prefácio a que chama de “Conversa com o Leitor”, explica que o único ponto comum das narrativas é serem do mesmo escritor. E, para espanto geral, esvaziando a expressão idiomática do seu significado habitual, atribui-lhe um outro: a linha é uma corda onde costuma pendurar o que escreve para a tinta secar e poder ver à transparência as folhas quando o sol bate nelas. Só um criador com as suas qualidades se lembraria de transformar um disfemismo num eufemismo!
Todas as histórias são de agarrar o leitor, quer pela imaginação e fantasia, quer pela forma poética como se entretecem. É difícil a escolha. No entanto, poderão merecer mais atenção histórias como “A vida” – uma semente levada pelo vento agarra-se a pequenas coisas, perde a imponderabilidade, cai à terra e germina; “A cadeira que quer ser trono” – a ambição paga-se caro, às vezes; “O anjo perdido” – um ser alado é visto na rua, mas afinal é o figurante de uma procissão; “Bolacha Maria” – a bolacha presunçosa acaba na boca de um cão; “Minorcas e Maiorcas” – determinadas inferioridades físicas podem ser ultrapassadas pelo humor. Estas e todas as outras narrativas podem resultar numas belas leituras fruídas.<br><br>Cristina Malaquias, aproveitando brilhantemente, a ideia do título, prolonga uma linha, em percursos mais lineares ou mais sinuosos, até à última página, onde coloca a sua origem – o novelo, podendo significar um desafio para mais contos. As ilustrações, que se expandem ou em quadros ou em apontamentos, pelas páginas, são aguarelas de um gosto estético requintado.
A partir dos 7 anos
Manuela Maldonado
| O Autor
António Torrado nasceu em Lisboa em 1939, tendo raízes familiares beirãs. Poeta, ficcionista, dramaturgo, autor de obras de pedagogia é, sobretudo, um contador de histórias. |