Uma aventura nos comboios mágicos
Ogilvy, Ian - Lisboa: Presença, 2008

 

O volume inteiro é impregnado de uma atmosfera de fantasmagoria, embora a maior parte das personagens sejam seres humanos comuns.
Tudo começa quando um feiticeiro, Basil Tramplebone, pertencente ao grupo monges-da-ira, cobiçoso da riqueza de outro feiticeiro menor, Sam Stubbs, resolve raptar-lhe o filho, Sam Lee, tornar-se seu tutor oficial, enquanto afasta os pais, mercê de um feitiço poderoso. Usando um anagrama, passa a tratar o petiz por Measle Stubbs.
É numa casa em ruínas, com uma permanente nuvem negra sobre o telhado, que o vamos encontrar, com 12 anos, a viver com o falso tutor. É franzino por falta de alimentação adequada, mal vestido, mal lavado e prisioneiro. Porém, no casarão há um sótão onde o seu carcereiro tem, em cima de uma mesa espaçosa, uma cidade em miniatura, com uma complicada rede ferroviária e bonecos de plástico representando seres humanos. Mercê de um sofisticado sistema eléctrico, tudo pode funcionar. A curiosidade de Measle, aproveitando a ausência do adulto, leva-o ao sótão e consegue pôr, mas erradamente, os comboios em movimento. Todavia, o carcereiro chega antes da hora prevista e castiga-o, transformando-o num boneco de plástico como os outros.
Afinal, todas as figuras são pessoas enfeitiçadas pelo monge-da-ira, membro de uma associação de feiticeiros loucos.
Por mero acaso, porque a fome era muita, o petiz leva consigo uma cenoura engelhada e, ao comê-la, ela vai funcionar como antídoto do feitiço, retirando a rigidez muscular aos moldes de plástico. Dada a escala liliputiana dos enfeitiçados, a cenoura chega para todos. Combinam um golpe bem urdido e vencem o feiticeiro ao dar-lhe morte. Nesse momento todos recuperam o tamanho natural.
Pelo meio há uma barata que vai ter um papel preponderante na morte do feiticeiro. Em seguida Measle reencontra os pais…!
Só a capa contém ilustração da autoria de Catarina Sequeira Gaeiras, como é desejável num livro para adolescentes. Com um fundo em várias tonalidades de vermelho, querendo exprimir o empenho corajoso num projecto de adrenalina forte, foram também recuperados os comboios que estão no cerne da narrativa; a barata e a mansão fantasmagórica, a negro, sublinham a morte.

A partir dos 12 anos

Manuela Maldonado

 

O Autor

Ian Ogilvy nasceu no Reino Unido em 1943. Além de actor, é dramaturgo e autor de romances. A série juvenil sobre Measle foi iniciada com este volume, já traduzido para 15 línguas.